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    Jan, The Edukators

     

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    Juliana P. R.

     

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    sexta-feira, 11 de maio de 2007


    Todo dia ela acordava às 6h da manhã. Não importava se estava doente, se era feriado ou data santa. Seus olhos se abriam num estalo, sem despertador – seja humano ou mecânico.

    Tomava seu café descafeinado junto com o pão integral sem miolo e esperava mais uma hora para ir trabalhar. Enquanto descia as escadas de incêndio de seu prédio, gostava de dar uma espiada pela janelinha as margaridas que ficavam no andar térreo e podia ver de perto, já que estava quase debaixo da terra. Saía pela garagem para pegar o ônibus das nove, nunca se sentava ou puxava conversa, estava pregada na paisagem e nas luzes que passavam uma após a outra.

    No prédio do ato laboratório, ia direto para sua mesa e cadeira que parecia um banco de praça e deixava-se falar bobagens com a colega do lado ao mesmo tempo em que pensava no almoço. Batatas? Salada? Frango?

    E nesse momento pegava uma barra de chocolate.

    Era o instante, a fração de hora mais digna e emocionante de seu dia. O chocolate espalhava-se pela boca e marcava seu gosto pelas papilas – não sabia se as mais sensíveis estavam no meio, atrás ou na frente, era inútil. Depois, fechava os olhos e permitia-se imaginar como uma criança um lugar distante com o mar batendo nas rochas, a grama ante seus pés e o som de piano vindo de algum lugar.

    No entanto, logo a colega do lado cutucava seu braço e a magia evaporava-se como água ao chegar em seu ponto de ebulição e tornava-se esquecida. Devolvia-lhe o sorriso entusiasmado enquanto falava e ouvia sobre as novidades da novela e quem casou/descasou com quem. Ela lhe pergunta de você, você pergunta dela e as duas dão risadas. Mas no final nada importava porque comia gelatina de corante de morango diet depois do almoço. E trabalhava, talvez tomasse um café ou cerveja depois do expediente. Colocaria as roupas na máquina de lavar, cortaria as cenouras e alfaces para a última refeição diária, passaria o creme anti-rugas para os trinta e poucos anos e veria tv.

    E ia dormir.

    Todo dia ela acordava às 6h.

    Talvez, o fundo de sua mente secretamente esperasse que o vapor virasse chuva.
    --

    Uma vez meu padrasto estava me contando sobre o funcionamento do cérebro masculino com dez anos de idade. Ele disse mais ou menos assim: ‘os meninos gostam das meninas com essa idade. O sentimento está lá, mas a gente num sabe o que é, então, sem querer olhamos para o carrinho e vamos brincar – aí a gente esquece.’

    O chocolate, novamente, é uma homenagem ao poeta do meu coração =)
    Ditto!


      juliana contou às 23:18 |